Fernanda Canofre 

As mãos de Paraguaia parecem um mapa. Nas rugas e marcas dos 73 anos de vida ela mistura sua história – de cicatrizes e andanças – à do 4º Distrito de Porto Alegre, antiga zona industrial da cidade, composta pelos bairros: Floresta, Farrapos, São Geraldo, Navegantes e Humaitá. E pelo cantos como o seu: a Vila dos Papeleiros. Cantos que estão dentro dos bairros, mas não são considerados parte deles por muita gente. Desde os 4 anos, a mulher de pele cor de cuia queimada pelo sol, vê o mundo a partir da Av. Voluntários da Pátria. A pista que corta Porto Alegre da rodoviária até a nova Arena do Grêmio e que fica a poucos metros de sua casinha, como ela mesma gosta de chamar, na Vila dos Papeleiros.

Quando fala, Paraguaia mistura sua história à do bairro onde vive desde a infância (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“Aqui era tudo água. Ali onde é a Freeway se chamava Doca das Frutas, porque, por causa do Guaíba, tinha umas pontes de madeira massacrada, onde os barcos encostavam”, conta Paraguaia.

Ela nasceu Salete Maris Soares da Silva, em São Paulo. Sobre os pais e o porquê da vinda da família ao Rio Grande do Sul, não gosta de falar. Quando chegaram a Porto Alegre, sem ter como se manter, encontraram a Vila das Docas e foram ficando. Porto Alegre tinha então 329 mil habitantes – 317 mil vivendo nas zonas urbanas e suburbanas da Capital. O Estado era governado por Walter Só Jobim, do PSD, que havia derrotado Alberto Pasqualini do PTB nas urnas. A cidade, por Ildo Meneghetti, companheiro de partido do governador.

Como muitos outros moradores, os pais de Paraguaia passaram a viver do lixo e ergueram uma casinha no espaço que era tomado por gente como eles. “A única solução deles era encostar em algum canto”.

Os dois morreram em um intervalo de um ano, quando Paraguaia tinha 14 anos. Já fazia três anos que ela também havia virado catadora. Nas sete décadas de vida, Paraguaia – que ganhou o apelido por ter casado com um paraguaio – viu a vila crescer quando a Rede Ferroviária Federal morreu. “Começou a aparecer muitos ferroviários aposentados e a gente deixava fazer a baia e viver”. Viu remoções e perdeu as contas do número de vezes que sua casa foi levantada em caminhões da Prefeitura que “atiravam todo mundo na Restinga”. Viu as grandes fábricas e os operários irem embora, mas alguns vizinhos que ela ainda reconhece “a cara” seguirem. Viu as avenidas Voluntários da Pátria e Farrapos ganharem corredores rápidos de ônibus e muros que deixaram mais difícil para quem estava do lado de cá, chegar ao lado de lá. Ouviu todo tipo de histórias de políticos e cansou.

“Isso sempre foi a mesma coisa, nunca mudou. Porque era tudo papeleiro, tudo sofredor velho. Para nós, da vida simples, não mudou nada”, responde ela ao ser perguntada se já ouviu falar de um novo projeto que queria “revitalizar” as ruas por onde andou a vida toda puxando o carrinho. “Nunca fizeram e nunca vão fazer. Olha a minha idade! Olha as promessas que eu já vi na minha vida”.

Paraguaia é um paradoxo do 4º Distrito, a zona que foi motor de Porto Alegre, mas sempre ressentiu não ter atenção da Prefeitura Municipal. De antigo bairro-cidade pulsante, que reunia o porto, a linha férrea, imigrantes e operários, cervejarias e indústrias têxteis, um planejamento urbano moderno, a região virou uma mistura heterogênea de vazio urbano, bairros de classe média e vilas que retratam os problemas sociais esquecidos pelo poder público. Uma amostra recortada da história da própria capital gaúcha.

Na discussão sobre planejamento urbano, planos diretores, polos de tecnologia, déficit de moradias, especulação imobiliária e a tal gentrificação, o 4º Distrito equaciona passado, presente e o futuro em jogo para Porto Alegre.

A Vila dos Papeleiros, canto esquecido do 4° Distrito (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

De quando a cidade era indústria

A história do 4º Distrito começa com um caminho. Em 1824, quando os imigrantes alemães recém-chegados ao sul começavam a ir para São Leopoldo, um grupo deles resolveu ficar na estrada do Caminho Novo, erguer casa e instalar oficinas por ali mesmo. A primeira semente de indústria da capital gaúcha. Perto dela, os trapiches estendidos para dentro do Guaíba movimentavam o cais com mercadorias e os armazéns com comércio. A zona de chácaras, descrita por Saint-Hillaire como “bucólica” e de “aprazível passeio”, já começava a ser povoada na mesma mistura de gente, classe e economia que a escreveu desde então.

Na segunda metade do século XIX, as chácaras começaram a dar lugar para um movimento um pouco menos bucólico que a caminhada do viajante francês. A chegada da linha férrea movimenta ainda mais a circulação de pessoas na região. O Caminho Novo vira Avenida, batizada de Voluntários da Pátria, em homenagem aos veteranos da Guerra do Paraguai (1864-1870). E a Companhia Territorial Porto-alegrense cria um projeto de loteamento em toda a área para aumentar o número de residências, desmembrando as antigas chácaras, que ficavam entre a Voluntários da Pátria e Benjamin Constant. Na virada do século, a semente de indústria nas oficinas dos alemães vira fábricas de tecido e cerveja e o 4º Distrito vira um Distrito com cara diferente do resto de Porto Alegre.

A região da Voluntários muito antes da construção da avenida (Foto: Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/Autor Desconhecido)

Até que chega 1912. Os gaúchos que trabalhavam no campo sofriam com um problema que parecia difícil de resolver. Os ponchos de lã que os defendiam do frio, encharcavam em dias de chuva e ficavam ainda mais pesados. Parecia sem solução. Mas um empresário teve uma ideia. AJ Renner encontrou um tipo de feltro impermeável e passou a vender capas feitas do material aos montes. Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu na Europa, dois anos depois, prejudicando a importação de tecidos, a fabriqueta virou indústria. E foi para o lugar de todas elas em Porto Alegre.

A chegada das indústrias Renner mudou a cara do 4º Distrito nos quinze anos seguintes. Com uma indústria que chegava a empregar 800 trabalhadores, em uma cidade onde o transporte público ainda não conectava facilmente suas pontas, Renner resolveu criar no entorno da fábrica uma cidade à parte, de onde as pessoas não precisariam sair. Um bairro-cidade. Construiu escolas, creches, postos de saúde, clubes recreativos e de esporte. E atraiu os funcionários a morarem perto.

Em 1930, quando Getúlio Vargas começava a Revolução para voltar ao poder e empreender o projeto de industrialização do Brasil, as indústrias Renner já estavam entre as maiores do país. A organização interna fazia com que pesquisadores alemães e dos Estados Unidos viessem visitar o modelo implantado no Rio Grande do Sul e os sindicatos a declararem que “conseguir entrar na Renner é difícil”. Os funcionários se diziam satisfeitos com a relação com o patrão, que ganhou apelido de “patrono do 4º Distrito”.

“Havia uma mistura super interessante de pessoas diferentes. O AJ Renner morava dentro da fábrica. Eu acabei descobrindo através da minha pesquisa que alguns casarões eram de donos das fábricas que moravam ao lado das fábricas. Assim como tinha as casas simples, tinha a casa dos donos”, aponta a professora da PUCRS, Leila Mattar.

“Havia uma mistura super interessante de pessoas diferentes”, diz Leila Mattar sobre o 4º Distrito (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O 4º Distrito era então um lugar que conjugava uma indústria que demandava centenas de empregos, com desenho habitacional, de forma inédita para o Brasil. Na antiga Fiateci, por exemplo, que hoje se tornou um empreendimento imobiliário com três torres comerciais, uma residencial e um centro de compras, os traços da antiga Vila Operária permanecem. Ou o Complexo Vila Flores, construído entre 1925 e 1928 pelo engenheiro-arquiteto José Franz Seraph Lutzenberger, para ser um condomínio de operários, que abriga agora um centro de cultura e escritórios de economia criativa.

“O auge do 4º Distrito foi numa época em que ele era diverso. No sentido de que ele tinha as indústrias, mais próximo ali da região da ponte, tinha os armazéns, as residências e uma rua, que era rua de comércio, em que se instalou sociedades, o comércio mais local, as escolas e as igrejas, que é a hoje em dia chamada de Av. Presidente Roosevelt. Antigamente, ela era chamada de Avenida Eduardo. Essa era uma rua muito especial porque fazia toda essa ligação social”, lembra Mattar.

Para ela, no entanto, assim como para vários pesquisadores, é difícil estabelecer apenas um motivo e uma data de quando as coisas começaram a virar. Quando a Praça Florida, na Rua São Carlos do bairro Floresta, passou de um ponto da vida social, para mais um ponto de abandono. É como se 4º Distrito – que chegou ao ponto de lançar uma campanha de emancipação nos anos 1950, através da Associação de Moradores e Amigos, porque achavam que a Prefeitura não olhava para eles – decaiu num efeito dominó de acontecimentos.

Primeiro, começou a perder a relação direta que tinha com o rio Guaíba, quando os carros e caminhões deixaram os barcos para trás. Com as rodovias, as indústrias passaram a migrar para cidades onde terrenos eram mais baratos e teriam mais lugar para se expandir, como Gravataí e Cachoeirinha, e Porto Alegre foi se desindustrializando. Passou de cidade que tinha uma economia calcada na indústria, para uma cidade de serviços. As transformações foram levando as pessoas embora. A Prefeitura foi deixando o antigo motor desligar. Sem relação mais com o rio, a zona começou a ser aterrada, a antiga rodovia Castelo Branco foi construída e com ela o dique que vinha proteger o asfalto de alagamentos durante as chuvas. E a Voluntários da Pátria se separou do Guaíba.

As obras de pontes, viadutos e elevados que passaram a se erguer pela região também ajudaram a isolar e cortar a relação do 4º Distrito com o Centro. “A outra divisão do bairro foi a Farrapos. A Farrapos foi criada na década de 1940 para meio que resolver o trânsito da Voluntários e ligar o Centro à zona norte. Ela acabou dividindo o 4º Distrito em duas partes. A gente já percebe bem que elas têm características diferentes, usos diferentes e tipo de evolução um pouco diverso hoje em dia”, explica Leila Mattar.

De fato, caminhar hoje pelo 4º Distrito, por suas três avenidas principais – Voluntários da Pátria, Farrapos e Cristóvão Colombo – é caminhar em uma paleta de diferenças sociais com tons fortemente marcados e que, embora sempre tenham existido, foram aprofundadas pelos efeitos do tempo.

Av Voluntários da Pátria, um dos eixos do 4° Distrito (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Flores e lixo

Quem olha para a Av. Voluntários da Pátria hoje não imagina como algum dia ela viu passar desfiles de presidentes e servia como passeio. O cenário da Voluntários atual, onde está a sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado, é de montes de lixo, prédios de infraestrutura comprometida, alguns abandonados, outros ocupados por oficinas e hotéis que cobram R$ 12 o pernoite, focos de incêndios pequenos aqui e ali, carros que passam rápido sem parar, nem olhar.

O traço de vida e cor na avenida está pouco antes da Rua Paraíba, na Vila dos Papeleiros. Depois de dois incêndios que fizeram os moradores perder tudo em seus barracos, em 2005, no final do governo João Verle (PT), quase 300 famílias foram colocadas ali, em casas recém construídas pelo Minha Casa, Minha Vida. A maioria delas vindas da antiga Vila Central. A via por onde começou o 4º Distrito, é a última referência em projetos atuais de revitalização para ele. Quase como se ela já não fizesse mais parte do bairro-região que fez nascer.

“Essa área, eu tive uma grande luta para conquistar ela. A gente lutou contra o pobre e contra o rico. Me chamaram na Assembleia [Legislativa] uma vez e me disseram que essa área aqui deveria ser igual ao Parcão, o Parque Moinhos de Vento. Outro chegou e disse que aqui seria um shopping, um cabide de emprego para mais de 800 pessoas. Na hora da minha fala, perguntei pra eles se esse cabide de emprego seria para nós papeleiros. Eles não me deram resposta”, conta Antônio Viana Carboneiro, uma liderança entre os papeleiros e morador da Vila.

Assim como nos planos discutidos em gabinetes administrativos para a região, por gente que não mora nela, quando falam sobre o fato de o 4º Distrito ser “um ponto estratégico”, para os papeleiros também é. A maior fonte de matéria-prima para o trabalho deles, o Centro Histórico, fica a 3 km de caminhada.

“Essa questão do desenvolvimento urbano é uma questão muito delicada, porque o desenvolvimento excludente só traz problemas. Existia uma população de catadores muito grande alojada no leito da Voluntários. E aí, a cidade decidiu que fazia mal para sua imagem aqueles núcleos de catadores, em assentamentos auto-produzidos, em condições precárias”, lembra Paulo Guarnieri, membro do coletivo Cidade Mais Humana.

Paulo Guarnieri (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Há cerca de cinco anos, no entanto, a proximidade do Centro virou efeito colateral da Vila. Ladrões que roubavam celulares e carteiras por lá, passaram a correr e se esconder entre os catadores. O tráfico de drogas também encontrou ali um ponto tão estratégico para seu esquema, quanto para os polos tecnológicos que a Prefeitura desenha para o futuro.

Seu Antônio conta que perdeu apoios e doações que recebia de entidades e empresas por causa da fama que passou a recair sobre a Vila. “Aqui todo mundo trabalha. Antigamente, quando a vila era maloca, nós éramos mais felizes. A gente chegava em casa cansado, deitava na cama e dormia tranquilo. Hoje não. Hoje, a gente chega em casa – e até nem bota cadeado nos portões – porque se a Brigada chega aí, chega arrebentando grade e quebrando porta”. Um dia antes desta entrevista, antes de amanhecer, uma operação integrada entre Brigada Militar e Polícia Civil, envolvendo 400 policiais, havia cumprido 56 mandados de busca e apreensão dentro da Vila.

O ponto que liga a Vila dos Papeleiros ao outro lado da Voluntários é a Rua Paraíba. Alameda que tem um túnel de árvores idêntico ao da Gonçalo de Carvalho, que ganhou apelido de “rua mais bonita do mundo”, em um site português. A Paraíba, porém, abriga a oficina de reciclagem dos catadores (Arevipa), é um ponto tradicional de prostituição de mulheres e travestis e de venda de drogas. Sobre ela ninguém fala, dela quase ninguém lembra. Seu Antônio conta que participou de uma reunião em que falavam sobre pinturas e reformas rápidas que fariam em várias ruas do 4º Distrito há poucos anos. A Paraíba não estava na lista.

Paraíba, a “outra” rua mais bonita da cidade (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Entre o galpão de reciclagem, um hotel que entra e sai de funcionamento constantemente e alguns pavilhões de empresas, a Paraíba conserva ainda casas antigas da época em que trabalhadores se mudaram para perto da Rede Ferroviária. Época em que o 4º Distrito era o bairro-cidade sonhado por AJ Renner.

Tânia Ambrecht viveu parte das transformações. Moradora da Paraíba há 44 anos, desde que casou com o primeiro marido, ela lembra que as casas não tinham grades, as portas nunca eram chaveadas e as crianças brincavam na rua. Hoje, lamenta o que ela virou. “A beleza da rua acaba porque as pessoas estão abandonando. Vi muita gente sair, têm pessoas indo embora e que não querem voltar mais, por causa da insegurança, da prostituição. Nada contra a prostituição, mas acho que deveriam ir em algum outro lugar, não aqui onde a gente mora. Tira um pouco da nossa liberdade, das pessoas que vêm na casa da gente. É muito doloroso, muito triste”, diz ela.

Tânia Ambrecht (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Atravessando a Avenida Farrapos, a meia dúzia de quadras de distância, um outro condomínio pensado para operários, assim como os da Rede Ferroviária, tem se transformado em referência em qualquer debate sobre o 4º Distrito. O Vila Flores, projetado por Lutzenberger, em um terreno de 1.415 m², foi pensado para servir como casa de aluguel para operários que trabalhavam na região. Uma ideia deixada para trás pelo tempo, assim como seu entorno.

O local chegou a ser ocupado diversas vezes por pessoas sem-teto. Em uma das ocupações, no início dos anos 2000, a maioria dos habitantes eram mulheres e travestis que trabalhavam com prostituição pela região. A presença das prostitutas, aliás, ainda parece incomodar muitos dos moradores da região. O Sul21 tentou entrevistas com algumas delas, mas todas disseram “não ter interesse” em participar desta reportagem.

Depois de uma divisão entre os herdeiros dos proprietários do edifício, em 2014, o antigo Vila Flores virou um espaço para abrigar escritórios de arquitetura e economia criativa, com aluguéis mais acessíveis que aqueles praticados na Cidade Baixa e em outros bairros de Porto Alegre.

O mesmo motivo que fez o artista plástico Lucas Strey escolher a rua São Carlos para abrir seu ateliê, em 2012. “Eu vim pra cá atraído por custo e benefício, espaços grandes, preços baratos. De lá para cá, bastante coisa mudou”, conta ele. Apesar de a Prefeitura Municipal ter aprovado a emenda parlamentar que prevê isenções de tributos para as iniciativas de economia criativa que se instalarem no 4º Distrito, na prática “não se verifica nada”.

Vila Flores, projetado por Lutzenberger (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“Revitalização por parte da iniciativa pública, eu ainda não percebi nada.Ou a infraestrutura e os investimentos acompanham [o processo de revitalização], ou isso vai virar só especulação imobiliária e vai afastando o pessoal que vem buscar isso aqui. Porque, na verdade, o único benefício que tu encontra hoje não é proveniente do governo. É proveniente da relação entre as pessoas”, afirma Strey.

O ateliê de Strey é um dos locais que está mapeado pelo chamado Distrito Criativo, uma iniciativa do arquiteto Jorge Piqué, do escritório Urbs Nova. Um passeio a pé pelo 4º Distrito em 2013, fez com que Piqué se encantasse pela região, pelo patrimônio arquitetônico guardado nela debaixo do abandono. A iniciativa reúne artistas e empreendimentos da chamada economia criativa, formando uma força-tarefa civil que quer participar dos debates sobre mudanças na região. “O Distrito Criativo é uma maneira para evitar [a especulação]. Nós ocupamos o espaço e estamos cuidando dele. Toda vez que alguém, que vem de fora, com ‘disco voador’, desce ali e não respeita nada, de certa maneira, nós somos os interlocutores. Eles têm que conversar com a gente”, diz.

Um exemplo da força que a organização tem é o fato de que em 2015, quando a Câmara de Vereadores aprovou isenções de tributos para empresas de novas tecnologias que se instalassem na região, um grupo de vereadores contatou Piqué para pedir ideias que pudessem ajudar o Distrito Criativo. Junto com a lei de isenção, uma emenda inclui nos benefícios artistas e empreendedores de economia criativa.

Mas, antes do Vila Flores e dos artistas chegarem, a própria região do bairro Floresta vivia um movimento articulado e vivo de ocupar o espaço público e as calçadas, conduzido pelos próprios moradores da região entre as ruas São Carlos, Comendador Azevedo e Hoffmann.

Ricardo Silvestrin (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“O que a gente tem que fazer é ocupar a rua. Propus a gente fazer a feira livre aqui na praça. A gente foi tentando, tentando, veio a feira livre para a praça. Os moradores também participaram. Eu fiz o sarau de rua, da minha janela, porque eu sou poeta e músico”, conta Ricardo Silvestrin, um dos idealizadores do Refloresta, que se mudou para o 4º Distrito com a família há 20 anos, depois de encontrar ali um sobrado antigo, por um preço que não existia em nenhum outro canto de Porto Alegre.

A ideia chegou a vigorar durante algum tempo. Ainda segue viva em ações de vizinhos como a professora Ilza, que uma vez por semana caminha pelo Floresta “esquecendo” livros em praças e bancos para compartilhar autores que ela gostou de ler. Mas acabou perdendo força quando outros bairros passaram a organizar eventos semelhantes, em regiões com mais infraestrutura.

Helena e seu brechó (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Proprietária de um brechó tradicional para os produtores de cinema da Capital, Helena, que também foi uma das idealizadoras do Refloresta, parece desacreditar de que alguma mudança, partindo do poder público, seja colocada em prática. “Te dizer que eu vejo alguma coisa aqui? Não. E vejo cada vez menos e menos. A gente luta muito. Essa quadra é legal porque o vizinho aqui do lado varre a calçada dele, eu varro a minha, varro a da minha vizinha. A gente faz assim para poder manter as coisas um pouquinho melhorzinhas”.

Masterplan e as regras do jogo

Nas últimas décadas, nada novo aconteceu no 4º Distrito. Em 1995, a antiga Renner virou o shopping center DC Navegantes, com a esperança de que ele funcionaria como dispositivo para atrair mais comércio e mais pessoas, mas funcionou pela metade. O shopping Total, construído no complexo que foi a cervejaria Bopp, foi mais ou menos parecido. No entorno dele, na Avenida Cristóvão Colombo, pouca coisa mudou e as placas de “aluga-se” e “vende” seguem frequentes.

Os fatores que faziam dele um ponto estratégico, ainda assim, seguiram lá. E se potencializaram. A Rodovia do Parque concentrou a região do Humaitá como entrada e saída principal da Capital. O Grêmio deixou a Azenha e ergueu ali a Arena. Junto com ela, vieram a promessa de contrapartidas da OAS (paradas por investigações da Operação Lava Jato) e um conjunto de torres de condomínios. A Copa do Mundo trouxe obras no aeroporto Salgado Filho e aumento do tráfego. Além do despertar no Paço Municipal de que, talvez, essa fosse a hora de mexer no tabuleiro do 4º Distrito.

No final de 2015, faltando um ano para o fim de seu mandato, o então vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) resolveu ser o impulsionador da ideia mais recente de “revitalização” para a região. “Hoje não tem ocupação [ali], porque tem muitos prédios abandonados, tem um uso misto, porque mesmo que não sejam tantos ainda existe moradia, ela tem capacidade de fazer uma operação consorciada – o que é uma operação consorciada? É você fazer um recorte da cidade e dar para aquela região um plano diretor”, explica Melo.

O plano diretor foi batizado de Masterplan e elaborado pelo professor da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Benamy Turkienicz. Pela experiência que o professor tem em trabalhos de planos diretores, a contratação dispensou licitação e foi direta com a universidade. Segundo Benamy, o projeto do Masterplan “foi formatado para alicerçar o suporte territorial para reconversão econômica e revitalização urbana do 4º Distrito”.

“Principalmente aquela área da Farrapos para a Voluntários é uma área que abrigou muitas indústrias no começo do século. A economia da região ficou muito condicionada a definição pelos proprietários do papel desse território, dessas quadras, desses lotes”, explica ele. “A vocação industrial do 4º Distrito se esvaziou e não houve processo de resgate territorial para outras atividades. Ou seja, as sucessivas administrações municipais nunca estabeleceram um plano de reconversão econômica para aquela área, aproveitando algumas coisas em que a área é pródiga”.

O plano elaborado pela UFRGS prevê que a “revitalização do 4º Distrito aconteceria através de três eixos: polo tecnológico, hub da saúde e economia criativa. Todos eles dependendo quase que exclusivamente da iniciativa privada.

Os pólos já estariam pré-negociados com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS). Os hubs da saúde viriam através de investimentos de empresas privadas do ramo. A economia criativa ficaria por conta de artistas e pequenos negócios ligados a gastronomia, cafés, que já estão ali na região do Floresta, mas poderiam crescer em número.

Para isso, Benamy prevê dentro do Masterplan a ideia de “quadras rápidas”. “O termo quadra rápida vem de quadras de rápida transformação. A ideia é que você tem uma quadra com construções antigas e foi permitida a compatibilização de construções novas com construções antigas. Ela é rápida porque era de um proprietário só, por isso, a negociação foi rápida e pegou a quadra inteira”, explica ele. Pelo menos 100 pontos do 4º Distrito já foram mapeados no estudo do professor como potenciais quadras rápidas. Ele considera o número baixo ainda.

Ou seja, a ideia é que o Masterplan congregue quadras com limite de construção e outras que estariam liberadas para indústrias expandirem de forma que não poderiam em outras regiões. A proximidade com o aeroporto impediria que os andares fossem muito altos. E, de acordo com Benamy, o projeto incluiria reservas de zonas para serem transformadas em áreas verdes e 5% das quadras seriam encaminhadas para moradia social. Tudo isso, no entanto, depende de o projeto ser encaminhado para aprovação na Câmara de Vereadores e como será aprovado lá.

Com a saída de Melo da prefeitura, o Masterplan foi para as mãos do novo vice-prefeito, Gustavo Paim (PP). No final de julho, Paim e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gomes (PP), viajaram a Nova York para participar do Urban Resilience Summit, a convite da Fundação Rockefeller. Segundo a assessoria, o Masterplan foi um dos projetos levados na mala em busca de investidores para Porto Alegre.

O Sul21 tentou entrevista com o vice-prefeito durante duas semanas, mas a agenda dele não permitiu. A reportagem pediu acesso ao projeto do Masterplan, com números e propostas que foram levantados pela equipe da UFRGS, mas a assessoria da Prefeitura respondeu dizendo que a liberação não foi autorizada pelos técnicos responsáveis.

Se você pergunta para os moradores do 4º Distrito, no entanto, se já ouviram a palavra “Masterplan”, a resposta quase sempre é negativa. “Revitalização” e “gentrificação” também não são expressões familiares para maioria deles. Embora a equipe que assina o projeto tenha realizado debates públicos sobre a questão, os convites foram lançados em redes específicas. Moradores de ruas menores, donos de comércio local com quem a reportagem conversou, dizem nunca ter sido contatados por ninguém a respeito.

E é aí que a gentrificação – uma coisa que muita gente vê como um mito, enquanto outros juram que é bem real – entra na história. Difícil de ser apontada, porque geralmente ela é produto de anos e fatores acumulados, é sempre um risco quando grandes empreendimentos entram na discussão. Palavra com origem no inglês gentry, gentrificação basicamente quer dizer revitalização dos espaços, porém como efeito, muitas vezes, pessoas que moraram em determinada vizinhança a vida toda, acabam não podendo mais pagar os preços do lugar recuperado e com um comércio novo. O que pode ser um risco para o 4º Distrito.

Preços pré-revitalização (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“Eles não falam como vai ser a gestão desses espaços. Só o fato de [certas empresas] chegaram ali – e daí a gente chega no nó – o preço da terra sobe. Pensa que chegou o Zaffari, a dona Maria que vende um café a R$ 2 e almoço a R$ 9 logo na esquina, ela não vai ser expulsa, mas ela vê que o aluguel ficou mais caro, o IPTU subiu, os cafés ela não consegue mais vender a R$ 2”, explica Karla Moroso, arquiteta do Centro de Direitos Econômicos e Sociais (Cdes). “A gente chama isso de expulsão branca. Ninguém foi lá e fez uma reintegração de posse, mas saem pelas forças do mercado”.

Desde o lançamento do Masterplan, o que aconteceu com o antigo bairro industrial de Barcelona, Poblenou, vem sendo apontado como “modelo para Porto Alegre”. Pessoas que participaram do projeto lá, vieram ao RS para assessor o plano daqui. A região, que estava esvaziada, passou por um processo de recuperação batizado de 22@, em 2000. O projeto teve por base diretrizes como plano que mantivesse a diversidade de uso da área (tanto para produção, quanto habitação), áreas que deveriam ser desenvolvidas apenas por iniciativas públicas e criação de planos derivados a serem aprovados para cada transformação que pudesse ocorrer no local.

Ou seja, Barcelona, que agora tem como prefeita Ada Collau, uma ativista de movimentos contra especulação imobiliária e gentrificação, é mostra de que apenas dispositivos assumidos pelo poder público podem prevenir riscos de uma regulação que esteja completamente nas mãos do mercado.

O que parece contradizer a forma que Sebastião Melo vê a questão. Questionado se a supervalorização de imóveis foi uma preocupação na elaboração do projeto, ele respondeu: “Mas que bom que isso aconteça, né? Tu não quer que o poder público controle o mercado”. Melo disse ainda acreditar que “o petróleo da cidade é o solo urbano”. “Da maneira que eu regulo o solo urbano é que eu dou a ele a cidade que quero e dou uma modelagem econômica. Porque se eu tenho um lugar que eu boto 20 andares, num terreno de mil metros quadrados, eu tenho, portanto, um valor econômico desse terreno”, explica.  

Ao mesmo tempo, o ex-vice-prefeito defende que moradores de regiões colocadas sempre à margem do que se considera 4º Distrito seriam sim contemplados pelo projeto. Ele afirma que a ideia é que empresas de novas tecnologias que se instalarem na região forneçam, por exemplo, cursos de capacitação para os jovens das vilas e emprego. Se isso foi incluído como um ponto do Masterplan, não ficou claro.

Com o Masterplan colocando nas mãos da iniciativa privada a esperança de resgatar a região, o 4º Distrito parece voltar ao seu ciclo de início. Foi a iniciativa privada que construiu o período mais produtivo e vivo dos cinco bairros. Os tempos, no entanto, são outros.

“Essas empresas não vê para empregar papeleiro”, lamenta Seu Antônio (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

De um lado da Farrapos, os moradores e comerciantes dizem que não se importariam em pagar mais impostos, se o poder público entregasse de alguma forma infraestrutura e segurança. Do outro, os moradores da Vila, que já foram removidos outras vezes quando pareciam ter a terra garantida, se dividem entre o medo de uma nova remoção, para abrir espaço para indústrias, e a vontade de ver as coisas mudarem também para eles.

“Se as empresas e indústrias se lembrassem de nós com o material reciclável que tem, de trazer para nós, ia melhorar a vida de muita gente. [Só que ao mesmo tempo], tem o projeto que quer acabar com os carrinheiros. E que vai nos deixar sem o nosso pão de cada dia”, diz Seu Antônio. “Essas empresas grandes que vêm, não vai ser para empregar papeleiro, isso te garanto. Meu povo aqui é negro, negro desdentado, pessoas analfabetas, qual a empresa que vai dar trabalho?”.

O 4º Distrito agora é como um tabuleiro, onde no horizonte se desenham dois finais: a chance de reversão da especulação imobiliária e do déficit habitacional que Porto Alegre vive agora ou a repetição de uma história que todo mundo já conhece onde dá.

“Todos nós discutimos muito a questão da gentrificação. É sempre um risco. Nós não estamos fazendo tudo isso para que alguma grande construtora venha aqui e, simplesmente, derrube patrimônio histórico, transforme, crie uma coisa fake. A gente quer a verdade dessa região. A verdade aqui são os moradores, são os novos que estão chegando, mas que não querem excluir os antigos”, defende Jorge Piqué.

Jorge Piqué mostra algumas das casas que integram o Distrito Criativo (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
A Rua Paraíba vista de cima (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Antônio e Paraguai, a história viva da ila dos Papeleiros (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Casas preservadas ainda podem ser vistas na região do º Distrito (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Av. Farrapos, marco divisor de realidades na região (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Às margens da Voluntários, a Vila dos Papeleiros e suas cores (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
No 4° Distrito, antigos prédios industriais e casas se misturam a poucos edifícios (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
O bairro que cresceu – e se deteriorou – às margens do Guaíba (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

13 thoughts on “No 4° Distrito de Porto Alegre, abandono e promessas se misturam. A quem serve a ‘revitalização’?

  1. EXCELENTE matéria sobre o abandono crônico da Prefeitura, por inúmeras gestões administrativas, do 4º Distrito de Porto Alegre. É algo sintomático da relação do poder público com a grande massa da população portoalegrense, ou do Brasil como um todo. Reflete o quanto o abandono ao desenvolvimento urbano (que inclui direta ou indiretamente a questão da educação e saude da população) indica o quanto o poder público abandona o potencial do Brasil em favor à venda deste potencial a interesses alienados ou alienantes. Pois, são interesses que não investem na capacidade de agregar os indivíduos na comunidade, de criar uma comunidade (social e econômica) pensante, criativa e sustentável. Porto Alegre em si é uma colcha de retalhos, com ilhas de desenvolvimento de primeiro mundo entre bolsões e vastas áreas de abandono de desenvolvimento (econômico e social). O que mostra uma elitização do potencial de desenvolvimento portoalegrense (e do Brasil como um todo). Ou seja, culturalmente, o poder público está encharcado de provincialismo. Muito provavelmente (espero) o poder público possa saber o que é necessário para realmente fazer o que Porto Alegre precisa para o pleno desenvolvimento de todos os distritos. Mas, é mais provável que o poder público e a forma de fazer política históricamente, não permitam que se realiza estas necessidades, que seriam para o bem de TODA a população. Enquanto estejamos presos a este “provincialismo político” o poder público dificilmente fará o que é necessário para o bem da população, em detrimento ao que é necessário fazer para manter-se no poder.

  2. Elogioso material. Na minha opinião nada mudara, município não tem interesse em investimento, na área. A moeda da “revitalização” tem duas faces…a própria decadência econômica…preserva…e por outro lado…esta decadência valoriza a compra das áreas urbanas. Projeto Masterplan , não tem a sensibilidade e critérios necessários para trabalharem ,no 4º Distrito ,espaço urbano,extremamente complexo. Masterplan tem o olhar extremamente tecnicista, onde a sua solução de megaprojetos corporativos favoreceram a eliminar os espaços de interação entre as diferentes culturas. A cidade é um espaço anárquico, uma espécie de lugar de fronteira onde diferentes pessoas coexistem… Não existe sucesso de projeto relacionados a “revitalização” e a “gentrificação”, sem cumplicidade da comunidade.

  3. Somente um jornal comprometido com a verdade e com os proletários poderia fazer matéria de tanta relevância histórica e social. Parabéns!

  4. Talvez a atuação do grupo empresarial do Sr. A. J. Renner, tenha deixado a administração pública municipal numa “zona de conforto” em relação àquela região. A maioria das obras de grande envergadura de Porto Alegre não tem como foco as pessoas ou a população como público alvo. Por exemplo: o estádio do Arena é uma iniciativa privada, cujos objetivos são para beneficiar o clube. A remoção das pessoas da vila dique, foi para ampliar a pista do Aeroporto e beneficiar os usuários das companhias aéreas. Na Zona Sul tivemos o Barra Shopping, cujo público alvo são os seus consumidores. E ainda os grupos Zaffari, que fazem benfeitorias por onde se instalam, mas o foco são os seus consumidores. Mas são sempre iniciativas privadas que tem o apoio do poder municipal. Não temos iniciativas do Poder público para as comunidades. A exceção é o projeto federal Minha Casa Minha Vida”, que é um projeto cujo público alvo é a população em geral, de baixa renda. Mas qual é a iniciativa da Prefeitura em termos de investimentos, para a população em geral? Vejam que na década de 70 foram feitos investimentos maciços em… túneis e viadutos, para melhor circulação de automóveis, extinguindo os trens. As pessoas viajam para a Europa e se encantam com o charme dos trens que cortam as cidades alemãs, italianas e portuguesas. Mas aqui destruíram todo o sistema ferroviário. O poder municipal dá espaço aos apelos de investimentos das incorporadoras e grandes empresas, mas ignora a população em geral. Por trás dos programas de revitalização, na maioria das vezes estão as grande empreiteiras e incorporadoras.

  5. Infelizmente o projeto feito pela equipe da ufrgs e pelo sinduscon não tem visao social nenhuma, a universidade federal a serviço do mercado e contra a propria populacao do bairro. não é dificil diagnosticar que as coisas mais legais que aconteceram na regiao nos ultimos anos foram justamente pequenas intervencoes?? qual a opiniao do instituto de arquitetos do rs sobre esse projeto??? triste,,

  6. O potencial que os bairros mencionados tem a oferecer aos moradores de Porto Alegre é imenso! Existem inúmeras possibilidades para se desenvolver no local… A Cidade Baixa, por exemplo, é um bairro muito menos apropriado para o tipo de atividade social que lá ocorre do que o Bairro Floresta na altura da Farrapos e seus arredores, pois há muitos moradores. No bairro Floresta tem prédios imensos, outros históricos, ruas cheias de charme, que poderiam ser o endereço de prósperas casas de shows, danceterias, restaurantes, bares, cervejarias, cafés, teatros, galerias de arte, estúdios e muito mais… Em outras cidades ou em outros países é justamente áreas como essa que costumamos frequentar como turistas, não é verdade?

    O fato é que se trata de uma área histórica, cultural, recheada elementos arquitetônicos e naturais de rara beleza, localização centralizada, com comércio forte, escolas, hospital, supermercados, bancos, com opções de gastronomia, clinicas, shopping e muito mais do que um excelente bairro tem a oferecer aos cidadãos…

    O 4º Distrito é a principal entrada de Porto Alegre… Temos que cuidar e explorar melhor essa parte da cidade… Abandoná-la é burrice.

    Temos que pensar em ações eficazes destinadas às pessoas desamparadas que vivem em suas ruas e avenidas, à prostituição de rua, ao tráfico e uso de drogas e à toda ordem de irregularidades que ocorrem no 4º Distrito. Depois é só colher os frutos de uma cidade mais limpa, mais sadia, mais alegre…

  7. Moro no bairro São Geraldo desde 1960. Gosto daqui e vivenciei o auge do 4° distrito. Na av. Eduardo (Pres. Roosevelt) aconteciam os desfiles da Mocidade, da Semana da Pátria, do Carnaval, feiras de rua, os acontecimentos mais importantes da cidade. Tínhamos grandes lojas, Magazine Renner, Marinha Magazine, Brasileiras, Masson, Cobal, as excelentes churrascarias Recreio Avenida e Porto Alegre (ainda existe) os cinemas Talia, Presidente, Astor( 1°cinerama da cidade), etc. O bairro tinha vida própria, era conhecido como o “bairro cidade”. Continuo a morar no bairro. Me mudei faz 2 anos….de residência mas não de bairro. Quero acreditar muito nestes projetos de revitalização. O 4° distrito merece.

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